📜 Origem das Capelas da Misericórdia
A origem destas capelas está ligada à fundação da primeira Misericórdia, criada em Lisboa, a 15 de agosto de 1498, pela Rainha D. Leonor, com apoio do Rei D. Manuel I.
A partir da Misericórdia de Lisboa — considerada a Casa‑mãe — difundiu‑se rapidamente a criação de novas Misericórdias e respetivas capelas por todo o Reino e pelos territórios ultramarinos portugueses.
🙏 Função Religiosa e Social
As capelas das Misericórdias tinham duas dimensões fundamentais:
1. Espaço de culto
Local destinado à oração, à celebração da missa e à devoção à Nossa Senhora da Misericórdia, cuja imagem simbolizava proteção a todos — pobres, peregrinos, presos, viúvas, órfãos, doentes, nobres e clérigos.
2. Espaço da comunidade
Era também onde:
- se reunia a Irmandade,
- se decidiam ações de caridade,
- se acolhiam pobres, enfermos ou peregrinos,
- se preparavam atividades assistenciais.
🕍 Arquitetura típica
Embora variem consoante a região e época, muitas capelas da Misericórdia apresentam:
- Planta retangular com nave e capela‑mor
- Teto em madeira e abóbada de berço
- Retábulos maneiristas ou barrocos representando cenas bíblicas e a Virgem da Misericórdia
- Fachada simples, normalmente branca
- Sineira e portal modesto
Estas características podem ser observadas, por exemplo, na Capela da Misericórdia de Carvoeiro (Mação), datada do século XVI.
🌍 Difusão pelo país e pelo mundo
As Misericórdias portuguesas rapidamente se multiplicaram:
- No século XVI já existiam dezenas de capelas por todo o território nacional,
- acompanhando a expansão portuguesa na África, Ásia, Brasil e Madeira, onde surgiram novas irmandades e respetivas capelas.
Assim, as Capelas da Misericórdia tornaram‑se um dos símbolos mais duradouros da tradição cristã e assistencial portuguesa.
✨ Importância Cultural e Patrimonial
Hoje, estas capelas constituem:
- testemunhos arquitetónicos e artísticos,
- elementos de memória social,
- marcos da história da caridade em Portugal,
- pontos de visita obrigatória em percursos históricos e religiosos.
Muitas continuam integradas na atividade das atuais Santas Casas, que ainda hoje desempenham um papel central no apoio social.